Eu nunca namorei ninguém. Mesmo quando eu achava que era como os outros caras, eu nunca namorei ninguém. Eu já gostei de duas ou três garotas, eu acho; ainda assim eu nunca acreditei que alguém fosse gostar de mim da mesma maneira que eu gostei dela.
Mas ainda dava pra conviver com isso. Afinal de contas, você cresce ouvindo que "o amor é cego", que "alguém vai te amar tanto que não vai ligar para os seus defeitos"; e você vê que isso é verdade. Você vê que mesmo pessoas que pra você parecem horríveis - não só na sua aparência - têm alguém pra amar. Eu vi isso. Eu me acostumei a pensar assim. Eu acreditei que, mesmo que eu não tivesse alguém que gostasse de mim agora, algum dia eu encontraria alguém que me amaria. Eu vi que isso era verdade. Mas às vezes, não é. Não pra quem é como eu.
Eu sou um adolescente. Naturalmente eu passei a gostar de pessoas. E não vou usar eufemismos aqui. Eu gostei de caras. Vários caras, todos heterossexuais. O que me faz voltar ao que estava falando: se você gosta de garotas, existe um mundo cheio, um mundo com um número tão grande de opções que não é possível que não haja alguém pra você.
Mas e pra nós? O que fazer quando você gosta de alguém que nunca vai gostar de você? O que fazer quando as opções que você teria são reduzidas demais? E ainda, aqueles que são como você, e que são uma opção pra você - aqueles que são gays, como você - escolhem ficar anônimos, - como eu - e suas opções ficam ainda mais limitadas. Quer dizer, eu só conheci dois caras como eu na minha vida inteira. E os dois foram grandes amigos. Mas é isso que eles foram, grandes amigos. Quando é que alguém mais do que isso aparece na história?
Eu nunca pensei que teria que procurar alguém para amar. Que teria que ir numa boate específica, ou numa parada específica, ou que teria que pedir pra alguém me apresentar outro alguém...
Eu sempre imaginei que eu ia me apaixonar por alguém em um momento banal. Estaríamos nós dois, eu e essa garota - o que claramente, por essa sentença já se tornou irreal - em algum lugar qualquer e íamos conversar e ver que gostamos de conversar um com outro e de olhar um pro outro e de abraçar um ao outro e de beijar um ao outro e, de repente, estamos apaixonados. Não é algo surreal. Você vê isso acontecer com seus amigos, sempre. Será que com a gente também acontece?
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