Eu nunca namorei ninguém. Mesmo quando eu achava que era como os outros caras, eu nunca namorei ninguém. Eu já gostei de duas ou três garotas, eu acho; ainda assim eu nunca acreditei que alguém fosse gostar de mim da mesma maneira que eu gostei dela.
Mas ainda dava pra conviver com isso. Afinal de contas, você cresce ouvindo que "o amor é cego", que "alguém vai te amar tanto que não vai ligar para os seus defeitos"; e você vê que isso é verdade. Você vê que mesmo pessoas que pra você parecem horríveis - não só na sua aparência - têm alguém pra amar. Eu vi isso. Eu me acostumei a pensar assim. Eu acreditei que, mesmo que eu não tivesse alguém que gostasse de mim agora, algum dia eu encontraria alguém que me amaria. Eu vi que isso era verdade. Mas às vezes, não é. Não pra quem é como eu.
Eu sou um adolescente. Naturalmente eu passei a gostar de pessoas. E não vou usar eufemismos aqui. Eu gostei de caras. Vários caras, todos heterossexuais. O que me faz voltar ao que estava falando: se você gosta de garotas, existe um mundo cheio, um mundo com um número tão grande de opções que não é possível que não haja alguém pra você.
Mas e pra nós? O que fazer quando você gosta de alguém que nunca vai gostar de você? O que fazer quando as opções que você teria são reduzidas demais? E ainda, aqueles que são como você, e que são uma opção pra você - aqueles que são gays, como você - escolhem ficar anônimos, - como eu - e suas opções ficam ainda mais limitadas. Quer dizer, eu só conheci dois caras como eu na minha vida inteira. E os dois foram grandes amigos. Mas é isso que eles foram, grandes amigos. Quando é que alguém mais do que isso aparece na história?
Eu nunca pensei que teria que procurar alguém para amar. Que teria que ir numa boate específica, ou numa parada específica, ou que teria que pedir pra alguém me apresentar outro alguém...
Eu sempre imaginei que eu ia me apaixonar por alguém em um momento banal. Estaríamos nós dois, eu e essa garota - o que claramente, por essa sentença já se tornou irreal - em algum lugar qualquer e íamos conversar e ver que gostamos de conversar um com outro e de olhar um pro outro e de abraçar um ao outro e de beijar um ao outro e, de repente, estamos apaixonados. Não é algo surreal. Você vê isso acontecer com seus amigos, sempre. Será que com a gente também acontece?
sábado, 26 de abril de 2014
quinta-feira, 17 de abril de 2014
A vida vista pela fresta do armário
Oi. Meu nome é Thiago e eu estou dentro do armário.
Se você está aqui, o que é o caso, você com certeza passa pelos mesmos problemas que eu; insatisfação, insegurança, medo, culpa, falta de esperança... Você se pergunta "por que comigo?", "por que eu não sou como os outros?", e por aí vai. Você se ilude, se engana, se convence de que vai passar, que não é pra sempre. Mas um dia, eventualmente, você aceita que é verdade... só não aceita viver com isso.
Eu sei como é. Eu passei por isso. Eu passo por isso. É estranho olhar para os outros e pensar que é tão mais fácil. É estranho pensar que, depois de te dizerem como ia acontecer com você, que você ia crescer, começar a gostar de garotas, começar a ter sonhos com garotas, que você ia querer estar sozinho com uma garota... depois de te dizerem que seria assim, de repente... não é. De repente, você não só é diferente daquilo que os outros esperam que você seja, daquilo que é normal, daquilo que é certo... não. De repente você é diferente daquilo que você queria pra si mesmo.
Você não pode falar pra ninguém. Você não tem vergonha, pois já aceitou que você é assim. Você não liga de verdade para o que eles pensam. Mas você não fala, porque eles não vão entender. Eles dizem que entendem. Mas nunca entendem. Nunca vão entender.
Então você se acostuma. Você se acostuma a olhar todas as pessoas, seguindo com suas vidas, exatamente como você queria que fosse com você. Você se acostuma a não ver história de amor com pessoas como você, e se acostuma a pensar que isso é porque não existem histórias de amor pra alguém como você. Você se acostuma a não ter nenhum semelhante.
Você se acostuma a ver a vida pela fresta do armário no qual foi trancado. Você olha o mundo fora dele, e quer ficar lá. Você tem a chave. Você pode abrir a porta.
Mas sair do armário não vai mudar as coisas, e você sabe disso. Você pode sair, mas o mundo que você vê não é aquele no qual você entrará. Então você fica. E vive a vida assim. Pra você, a bandeira do arco-íris não tem cor.
É assim que funciona para pessoas como nós. Não podemos mudar isso. Mas podemos falar. Podemos não ficar calados. E é isso que eu vou fazer.
Eu sou Thiago, e eu estou dentro do armário.
Se você está aqui, o que é o caso, você com certeza passa pelos mesmos problemas que eu; insatisfação, insegurança, medo, culpa, falta de esperança... Você se pergunta "por que comigo?", "por que eu não sou como os outros?", e por aí vai. Você se ilude, se engana, se convence de que vai passar, que não é pra sempre. Mas um dia, eventualmente, você aceita que é verdade... só não aceita viver com isso.
Eu sei como é. Eu passei por isso. Eu passo por isso. É estranho olhar para os outros e pensar que é tão mais fácil. É estranho pensar que, depois de te dizerem como ia acontecer com você, que você ia crescer, começar a gostar de garotas, começar a ter sonhos com garotas, que você ia querer estar sozinho com uma garota... depois de te dizerem que seria assim, de repente... não é. De repente, você não só é diferente daquilo que os outros esperam que você seja, daquilo que é normal, daquilo que é certo... não. De repente você é diferente daquilo que você queria pra si mesmo.
Você não pode falar pra ninguém. Você não tem vergonha, pois já aceitou que você é assim. Você não liga de verdade para o que eles pensam. Mas você não fala, porque eles não vão entender. Eles dizem que entendem. Mas nunca entendem. Nunca vão entender.
Então você se acostuma. Você se acostuma a olhar todas as pessoas, seguindo com suas vidas, exatamente como você queria que fosse com você. Você se acostuma a não ver história de amor com pessoas como você, e se acostuma a pensar que isso é porque não existem histórias de amor pra alguém como você. Você se acostuma a não ter nenhum semelhante.
Você se acostuma a ver a vida pela fresta do armário no qual foi trancado. Você olha o mundo fora dele, e quer ficar lá. Você tem a chave. Você pode abrir a porta.
Mas sair do armário não vai mudar as coisas, e você sabe disso. Você pode sair, mas o mundo que você vê não é aquele no qual você entrará. Então você fica. E vive a vida assim. Pra você, a bandeira do arco-íris não tem cor.
É assim que funciona para pessoas como nós. Não podemos mudar isso. Mas podemos falar. Podemos não ficar calados. E é isso que eu vou fazer.
Eu sou Thiago, e eu estou dentro do armário.
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